December 14, 2007

The art of people watching....

Observar as pessoas ao meu redor sempre foi um dos meus passatempos prediletos. Grande parte da minha alegria de viver vem de compartilhar momentos com completos estranhos, viver através de pessoas que fazem parte da minha vida por frações de segundos. Fui a um show ontem... show de rock clássico, de uma banda que existe há mais tempo do que eu. O artista presente no palco é irrelevante. Eu vou apenas para ver o sorriso de criança no rosto do meu pai, ver a emoção que ele sente ao escutar ao vivo, pela primeira vez, uma música que marcou sua juventude e que provavelmente traz tantas boas lembranças.

Ontem tive o prazer adicional de observar uma mulher, em torno de cinquenta anos, que demonstrava a mesma paixão pela música que meu pai. Ela havia deixado para trás as responsabilidades de casa, filhos e marido para viver uma noite de cumplicidade com suas amigas. O seu sorriso era contagiante. Ela dançava como se não existesse mais ninguém ao seu redor e cantava com toda a força de seus pulmões, liberando demônios presos há anos.

Ela nunca vai saber disso, mas ela liberou alguns dos meus demônios também. Obrigada!

November 7, 2007

Daffodil's Lament

Nunca consegui manter um diário por mais de uma semana que fosse. A grande dificuldade, para mim, sempre veio justamente da principal função de um diário - eternizar a memória de momentos que marcaram a vida do autor, exatamente como eles foram interpretados na época que ocorreram. A permanência das minhas palavras sempre me causou um certo desconforto, uma sensação de inaptidão e inferioridade.

Os pensamentos e sensações mudam, evoluem - e aquilo que um dia foi escrito, que é imutável por natureza, se torna obsoleto. Sinto vergonha de um dia ter rabiscado aquelas letras, de um dia ter sido aquela pessoa - vergonha ainda maior que reconhecer que ainda a sou.

Quem sou eu para macular a perfeita brancura daquelas páginas com minhas pretensões e desejos? Que direito tenho eu de achar que minhas mãos seriam dignas de tentar a arte reservada aos mestres?

Por isso o meu apego ao mundo virtual - a esse veículo de comunicação cibernético, onde nada, nem mesmo minhas próprias palavras são permanentes. A facilidade do irreal, do intangível. Fingir ser outra pessoa se torna muito mais simples quando as memórias e as mentiras podem ser apagadas com o mais suave apertar de um botão.

October 20, 2007

I've given all I can, it's not enough

E o meu problema é (sempre) amar demais, me importar demais, pensar demais...

A grande constante da minha vida é o desequilíbrio entre o dado e o recebido, a fantasia e a realidade. É tanto egoísmo assim esperar que a preocupação seja recíproca e que o carinho seja mútuo?

E o que eu faço quando o sentimento de culpa por esperar essas coisas todas se recusa a ir embora?
The problem is not that I don't love you - it's that I love you too much!

September 11, 2007

Before the World Was Made....

Você me ensinou sobre o mundo, sobre literatura e história. Você se certificou que eu sabia a sucessão dos imperadores romanos tão bem quanto eu sabia o nome de cada uma das paquitas. Você me mostrou a magia que livros contêm, quando nós sabemos ler da maneira certa - Asterix e Obelix foram, por muito tempo, os meus melhores amigos e até hoje fazem parte da minha vida, de certo modo. Por causa de você, eu não me imagino seguindo outra profissão que não seja direito, mas me pergunto todos os dias se vou conseguir ser a advogada que você sonhava que eu fosse.


Mais do que ninguém, você me ensinou valores inestimáveis que eu carrego no corpo e na alma! Se eu sou quem eu sou hoje, grande parte disso eu devo à você! Fui abençoada com o melhor avô que uma pessoa podia querer… um avô que substituiu e compensou por uma pai imperfeito de uma meneira tão maravilhosa que eu não percebi até recentemente.


Hoje fazem dez anos que você foi embora… e não têm um dia que eu não sinta sua falta imensamente! Te amo, para sempre!

September 2, 2007

some days are better than others...

Como o título já diz, alguns dias são melhores que outros!

Hoje, sem nenhum motivo aparente, foi um desses dias! Dia tranquilo, feliz da maneira mais simples e boba possível, recheado de surpresas fofas proporcionadas por uma das pessoas mais carinhosas e doces que eu já conheci! Dia de assistir videos no Youtube. Jogar video game por horas a fio e se divertir com as piadas bobas dos criadores. Ler Sandman e imaginar como deve ser cool conhecer o Gaiman e passar uma tarde conversando com ele e bebendo Margaritas, mesmo sabendo que eu me sentiria extremamente intimidada por ele.

Dia de pensar nas coisas boas da vida, e sorrir por saber que elas existem! E tudo isso começou porque ontem estava passando Sound of Music...

"
All I want now is happiness
For you and me"

August 17, 2007

Sandy, why can't we look the other way?

"É melhor ouvir isso que ser surdo!"

Outro dia escutei uma pessoa falando isso na rua e parei pra pensar... será mesmo? Ultimamente eu tenho tido decepção atrás de decepção, surpresa atrás de surpresa (sempre the bad kind)

Invejo aquelas pessoas que possuem a chamada audição seletiva, a maravilhosa capacidade de ignorar aquilo que as incomodam. Pode parecer escapismo, mas torna a vida muito mais fácil, as pessoas muito mais aceitáveis e o mundo em geral, muito mais colorido. Seria bom não lembrar de todas as coisas ruins que já escutei daqueles que amo, não lembrar da dor que certas coisas causaram porque simplesmente não prestei atenção quando elas aconteceram!

No entanto, eu tenho me encontrado cada vez mais atenta ao mundo ao meu redor, e, consequentemente, aos defeitos do mesmo. E me pergunto... o mundo sempre foi assim e eu que não reparava ou ele realmente está ficando cada vez pior?

August 6, 2007

Looking Back

Uma amiga me falou uma vez que, por mais maravilhosa que uma viagem fosse, ela sempre ficava feliz em voltar pra casa, em retornar à vida normal, em dormir na sua própria cama novamente. Na hora, eu lembro ter discordado, mas agora vejo que ela estava certíssima e eu estava apenas analisando as coisas de maneira invertida.

Eu voltei pra casa há dois meses e agora, infelizmente, é hora de viajar novamente! Coisas dessa vida responsável, sabe?

Então não, eu não esqueci que tenho um blog. Eu simplesmente não estou pronta pra admitir que estou orfã novamente. Quem sabe em breve....